
A competição por espaço é um fator limitante em comunidades bentônicas. Em comunidades marinhas, as esponjas desempenham um papel importante na competição por espaço. Corais frequentemente entram em contato com esponjas. Tubastraea tagusensis e T. coccinea foram os primeiros corais escleractíneos invasores no Atlântico Sul, sendo caracterizados como oportunistas e fortes competidores por espaço. O presente estudo visou quantificar diferentes interações entre os invasores Tubastraea spp. e a esponja Desmapsamma anchorata em três locais na Baía de Ilha Grande: Abraãozinho, Barreto e Lagoa Azul, no inverno e no verão. Foram lançados cinco transectos de 10 metros percorrendo o costão rochoso, onde fotografou-se todas as interações encontradas distando um metro acima e abaixo dos transectos. Analisou-se as fotografias categorizando as interações como: sobreposição, contato periférico, contorno, distância até 5 cm e até 10 cm. No geral, o contato periférico foi a interação mais observada nos três locais avaliados. Com relação as estações do ano, no inverno houve maior abundância da esponja e consequentemente maior numero de interações entre ela e os corais. Um maior número de interações foi observado com T. tagusensis, provavelmente devido a sua maior abundância na região da Ilha Grande. Pesquisas que relatam interações entre populações de espécies nativas e invasoras no Brasil são escassas e necessárias. O presente estudo avaliou e quantificou, pela primeira vez, os possíveis efeitos da esponja D. anchorata sobre as espécies invasoras de coral Tubastraea spp. nos costões da Baía de Ilha Grande tornando-se importante para possíveis ações de controle e erradicação de invasores.
Competição, Desmapsamma anchorata, Tubastraea spp.