
Há mais de 200 anos vem se notificando enfermidades como a da Dengue nas Américas, a exemplo a Febre Amarela, ambas possuindo o mesmo vetor em comum, o mosquito Aedes aegypti. O combate a esta espécie no Brasil foi institucionalizado de forma sistematizada, no final do século XIX, quando diversas epidemias de febre amarela urbana ocorriam no país, levando o óbito milhares de pessoas. Na década de 50, o A. aegypti chegou a ser erradicado no país, mas retornou nos anos 80, e a partir de 1990 houve o agravamento e expansão do quadro epidemiológico, atingindo 184.064 casos no ano de 1999. No Estado de São Paulo, a transmissão da Dengue foi detectada pela primeira vez em 1987, e em 1999 registrou-se 15.082 casos, ocorrendo epidemia em diversas regiões do Estado, destacando-se as cidades de Santos, São José do Rio Preto, São Vicente, Cubatão e Guarujá, responsáveis por mais de 70% dos casos do Estado. Atualmente está em circulação no Brasil os 4 sorotipos do vírus (DEN-1, DEN-2, DEN-3, DEN-4). A Secretaria de Vigilância em Saúde registrou 447.769 casos notificados no primeiro trimestre de 2010 a nível federal, sendo a Região Metropolitana da Baixada Santista representada por 10.823 destes registros. Portanto, a Baixada Santista sendo uma das regiões do Estado de São Paulo em destaque nas ocorrências positivas de Dengue, torna-se importante à saúde pública o agrupamento e avaliação dos dados registrados na ultima década sobre a doença na Região. A partir da comparação dos dados entre os municípios, observando o aumento ou diminuição de infecções, entre os níveis endêmicos e epidêmicos, pôde-se analisar possíveis perspectivas de novos surtos epidêmicos na Baixada Santista, associando esta ascensão de casos positivos às mudanças climáticas nos últimos anos, temperaturas elevadas e grande nível pluvial, agregados ao fator antrópico, que possibilita a formação de criadouros e dispersão do vetor.
Dengue; Aedes aegypti; Epidemia.