
Nas últimas décadas, o monitoramento de fármacos e produtos de higiene e cuidados pessoais (PHCP`s) no meio ambiente vem ganhando grande interesse devido ao fato de muitas destas substâncias, denominadas compostos químicos emergentes e/ou micropoluentes, serem frequentemente encontrados em matrizes ambientais tais como, água superficial e sedimentos. Estudos comprovam a ocorrência destas substâncias em efluentes de Estações de Tratamento de Esgoto (ETE`s), sendo esta uma das principais rotas para o ambiente aquático. A maioria dos fármacos apresentam características lipofílicas, baixa degradabilidade e tendem a se acumular no ambiente podendo causar efeitos adversos à biota. Os antiinflamatórios não esteroidais diclofenaco e ibuprofeno tem sido identificados e quantificados em amostras de efluentes de ETE`s, bem como em águas superficiais em diferentes países. O presente estudo analisou o efeito agudo gerado pelos fármacos Diclofenaco e Ibuprofeno, através de testes de toxicidade com o microcrustáceo Daphnia similis (Cladócera, Crustácea) visando classificá-los quanto à toxicidade na nomenclatura elaborada por Blaise(1) que está fundamentada na diretiva da União Européia (93/67/EEC – REACH) a qual exige um conhecimento mais profundo das características das substâncias químicas dentre elas os fármacos. Os valores médios da Concentração Efetiva que causa mortalidade e imobilidade em 50% dos organismos expostos (CE50(48)) encontrados para Diclofenaco e Ibuprofeno foram 43 mg l-1 e 97,09 mg l-1 respectivamente. Baseado nos valores de CE50(48), estes fármacos foram classificados como "Prejudicial".
Toxicidade; Fármacos; Biota.