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  Palavras

Palavras da Reitoria:

É motivo de orgulho e inspiração o Teatro Experimental de Pesquisas (TEP). A trajetória desses jovens talentosos vem sendo marcada pelo brilho artístico, pela criatividade que não teme experimentar linguagens de vanguarda e pela coragem em denunciar a opressão. O não às ditaduras, o protesto contra as perseguições políticas e denúncias sobre o avanço da AIDS no Brasil fazem parte da bandeira de luta desse grupo Teatral, entre muitas demonstrações de civismo, ideal democrático e de sensibilidade aos problemas sociais e humanos. No palco teatral, os membros do TEP levaram também a luta pela qualidade de sangue distribuída no país. Esse trabalho artístico ensejou a criação do GAPA, (Grupo de Apoio à Prevenção à AIDS). Arte e Política, Arte e Esclarecimento, Arte e Emoção. Eis a receita que gera sucesso do TEP. Sem contar as experiências de alguns de seus integrantes no cinema, com os curtas "Breve História das Gentes de Santos", "Santa Heresia", "Clone...Clone meu" e "Aurora". Citar talentos revelados pelo TEP seria arriscado: poderemos cometer injustiças e esquecer alguém. Ao grupo liderado pelo diretor Gilson de Melo Barros, artista multimídia, professor da Faculdade de Artes e Comunicação da UNISANTA, nosso ex-aluno de Educação Artística, os cumprimentos por mais este espetáculo.

Profª Drª Silvia Ângela Teixeira Penteado - Reitora

Palavras dos Diretores:

O diretor do TEP e coordenador do projeto de teatro Universitário na UNISANTA é o Professor de Técnicas de Teatro e Dança do Curso Superior de Artes e Comunicação Gilson de Melo Barros - atual diretor TEP (UNISANTA). Ele explica que o TEP possui um comportamento com causas específicas, não só de diversão, o questionamento é o principal ponto, procurando abordar o homem quanto à conduta, relações sociais e sua própria existência. Para Gilson, os grupos Universitários são privilegiados, pois possuem um local para ensaiarem, "a Universidade cede o local dos ensaios, as condições de desenvolvimento dos projetos e equipamentos. Durante o processo o apoio é apenas logístico, na finalização dos espetáculos é outra conversa. Em 1996, nós montamos um espetáculo sobre Frida Kahlo, fizemos um trabalho de divulgação e conseguimos levar o espetáculo para o México. Fomos enviados pela Universidade que ainda pagou todo o Material Gráfico". O TEP é formado por alunos, ex-alunos e pessoas que disponham de tempo para os ensaios (a princípio aos Sábados), "porque Teatro não é brincadeira, depende de leitura, de exercício, de entrega e essa labuta transcende, em primeiro momento, a massagem do Ego".

Gilson de Melo Barros - atual diretor do TEP.


"Pro bem ou pro mal só virei diretor de teatro graças ao TEP. Pro bem porque além de fazer deste ofício meu sagrado e legítimo ganha pão, é aqui que eu de fato consigo me satisfazer, compreender um pouco melhor o mundo, fazer de cada experiência de encenação uma forma de manifestar de forma absoluta meu regozijo por poder fazer aquilo que escolhi num país onde a maioria sequer tem trabalho. Pro mal, talvez, porque aprendi muito cedo, lá no TEP que a arte é uma arma que deve estar a serviço da denúncia dos maus tratos com que o nosso povo vem sendo tangido, ontem pelos militares, hoje pela ditadura econômica, silenciosa e mansamente ao matadouro. No TEP me iniciei e fiquei prisioneiro da minha consciência. Foi o TEP que primeiramente me soprou no ouvido a idéia que a arte é a antítese da mecadoria, do "produto cultural", do entretenimento fácil, do descompromisso. Arte é a celebração da vida e a vida é um patrimônio inalienável da humanidade. Toda. O TEP tinha o que de melhor podia ter o teatro. Era subversivo, trangressor, valente e corria riscos. Que assim se conserve!"

Marco Antonio Rodrigues - ex-diretor do TEP.