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Mídias - SantosCom
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| Overdose na rede
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| As novas mídias geram mais e mais informação. O que para alguns especialistas pode alienar, para outros significa pluralidade de sentidos e de expressões |
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| Por Paula Roberta Pinheiro |
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Em 1967, Caetano Veloso já se referia ao impacto do excesso de informação na sociedade moderna. “O sol nas bancas de revista/ Me enche de alegria e preguiça/ Quem lê tanta notícia”. Quarenta anos depois de Alegria, Alegria, a música de Caetano, que é um dos marcos do Tropicalismo, somos expostos a um volume dez maior de informação. E a novas formas de mídia, que geram mais e mais, fenômenos.
O professor de Comunicação e mestre em Educação André Rittes diz que o excesso pode levar à alienação: “Se a pessoa tentar se informar sobre tudo, a toda hora, não terá tempo para mais nada. Isso pode gerar o processo inverso, que é o da alienação”.
A visão de Rittes não é compartilhada pelo mestre em Comunicação, Eduardo Cavalcanti: “Desse volume imenso de informação sempre absorvemos algo”. Ele acha que com o número crescente de fontes dentro dos espaços criados pela internet, como blogs e flogs, é possível ter uma rede maior e mais plural, tornando-nos menos passivos.
Para Cavalcanti, antes das novas tecnologias o público apenas consumia informação: “Quando existiam somente os meios de comunicação de massa, éramos consumidores passivos. Agora, com as novas mídias, podemos ser produtores no processo, ter o nosso próprio jornal, nosso site ou mesmo a nossa própria estação de rádio”.
A professora e psicóloga Mônica de Lima Azevedo concorda que a possibilidade que o público tem hoje de difundir idéias e projetos pessoais na internet é importante: “As pessoas têm direito a se expressar. Os meios de se produzir informação na internet tornam isso possível”.
Para Rittes, falar de comunicação de massa no Brasil ainda é falar de televisão. “A porcentagem da população que se utiliza de outras formas de mídia para se informar é mínima”. Cavalcanti observa que no Brasil o acesso à internet não se iguala aos dos Estados Unidos, mas, mesmo assim, o País é campeão de uso médio no computador. “Mesmo que apenas 20% dos brasileiros sejam inclusos digitalmente, os poucos que usam computador usam muito. O que faz com que essa fatia da população já tenha mudado a maneira de absorver as informações que chegam até ela”.
Rittes e Cavalcanti concordam que o YouTube é uma nova forma para a divulgação de trabalhos, em que os padrões e as linguagens estéticas se inovam. O slogan do site “transmitir você mesmo” é uma maneira de aparecer e criar. Para Rittes, essa forma de divulgação pelo YouTube é interessante, mas ele acha que as produções se perdem no site. “Não sei se o site é válido do ponto de vista prático, mas quanto à idéia é muito legal”.
Sozinhas?
No plano das comunicações interpessoais nas novas mídias, Rittes diz: “Perdemos cada vez mais, já que as novas mídias são muito autocentradas e respondem egoisticamente ao chamamento do capitalismo, que é igualmente egoísta. O que acaba gerando um distanciamento cada vez maior entre as pessoas”.
A psicóloga Mônica observa que na rede digital as pessoas acabam realizando os seus desejos e que por isso a rede é tão fascinante para alguns. “Ali, nos transformamos em tudo o que gostaríamos de ser, o que torna a internet um objeto curioso e ao mesmo tempo perigoso”. Para ela, ao mesmo tempo em que o público realiza as fantasias, grande parte confunde fantasia com realidade: “Muita gente não entende que esse fascínio não é real. Por mais interessante que seja a rede, temos de saber separar o real do irreal”.
“Ganhamos, e muito, com as novas formas de comunicação interpessoal. Quando é que fora dessa rede poderíamos estar em contato com tanta gente como hoje?”, questiona Eduardo Cavalcanti. “Por mais que pareça que as pessoas estejam sozinhas, elas estão dentro de uma rede de comunicação contínua e dinâmica. Têm uma vida social intensa. A única diferença é que não se trata de uma presença física”, conclui o professor. Cavalcanti não concorda com a crítica de que a personalidade pode ser manipulada no computador. “Essa crítica é exagerada, pois as pessoas se utilizam de máscaras sociais a todo o momento para serem aceitas”.
Ele diz que as novas mídias já são dominantes e se sobrepõem aos outros veículos de comunicação, já ultrapassados. Para Rittes, as novas mídias poderão até permanecer: “As mídias são apenas meios, mídias. E se as pessoas acharem que elas têm alguma importância, irão se perpetuar e, talvez, bem mais adiante, possam até se tornar dominantes”.
Matéria produzida em 2007
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