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Relações Públicas X Repórteres X Assessores
Afinal, quem deve dirigir uma assessoria de comunicação?
Por Revista
A mídia não absorve os profissionais de Relações Públicas como deveria. Ao contrário, as assessorias de imprensa têm um mercado em expansão. Cada vez mais as organizações percebem a necessidade de ter um assessor, e a discussão em pauta é: quem deveria dirigir uma assessoria?



O assunto é polêmico. Parte dos jornalistas diz que o profissional mais adequado para exercer esta função são eles. Os Relações Públicas defendem o contrário e profissionais formados nas duas áreas afirmam que a faculdade que mais prepara o comunicador para a área de assessoria de comunicação é a de RP.



Gerson Moreira Lima, doutor em Jornalismo pela USP e graduado em Relações Públicas pela Universidade Católica de Santos, afirma que a imprensa hoje é um dos departamentos de uma assessoria de comunicação.



"O gestor de comunicação é alguém que gera notícia através de um setor de comunicação. Este profissional deve ter um conhecimento muito além do Jornalismo. Ele deve conhecer conceitos de Relações Públicas e Publicidade. "O gestor de comunicação deve pensar a partir da comunicação social", diz.



Apesar de o jornalista ser o profissional que mais ocupa esse lugar no mercado, Lima afirma que muitos destes profissionais desconhecem a comunicação coorporativa, e que ser um bom jornalista não garante que você será um bom assessor.



Para Neusa Lopes Vicente, coordenadora do curso de Relações Públicas da Universidade Católica de Santos, o jornalista que deseja seguir carreira em assessoria tem de cursar RP também. Ela sentia essa necessidade, e logo após se graduar em Jornalismo, foi cursar Relações Públicas.



Segundo Neusa, o jornalista tem de liderar a parte de imprensa dentro de uma assessoria de comunicação, mas o gestor de comunicação deve ser o Relações Públicas, pois ele tem o amplo conhecimento das funções organizacionais dentro de uma instituição.



A coordenadora sustenta que o Relações Públicas não é o profissional direcionado a organizações de festas e cerimoniais. Ele tem o conhecimento estratégico de como lidar com as dificuldades e os conflitos internos de uma empresa, o que torna a função muito mais complexa e necessária. Segundo ela, o RP pode assinar comunicados oficiais, mas o conteúdo jornalístico de boletins e a emissão de releases só pode ser feita por jornalistas.







Os precursores







Trinta de janeiro de 1914. Esta foi a data em que foi criado pela primeira vez no Brasil um departamento com a denominação de Relações Públicas. O surgimento desta profissão se deve à antiga The Light and Power Co. Ltda Light, companhia canadense estabelecida no Brasil desde o século 19.



Na época, quem coordenava este departamento era um engenheiro, Eduardo Pinheiro Lobo, pioneiro da atividade no Brasil. O pai das Relações Públicas não é brasileiro, mas sim norte-americano. Ivy Lee era um jornalista, que trabalhou como relações públicas para o magnata John Davison Rockefeller. Ivy conseguiu transformar um homem odiado em um homem caridoso. Para muitos Ivy Lee é o "pai das Relações Públicas", mesmo sendo jornalista de ofício.



O papel do jornalista tende a ser descrito na imaginação das pessoas como o profissional que atua com apuração, edição e notificação dos fatos ocorridos. A palavra jornalista pressupõe a vinculação do profissional com a imprensa escrita, eletrônica e audiovisual. Relações públicas, por sua vez, é uma atividade ligada à administração dos relacionamentos entre uma organização e seus diversos públicos. São profissionais que têm funções e atividades diferentes, mesmo que ambos sejam formados em Comunicação Social.



As duas profissões foram regulamentadas no Brasil na década de 1960 e passaram a exigir diploma de curso superior. Apesar da regulamentação da profissão de Relações Públicas prever a administração do relacionamento com os vários públicos, a tarefa de ligação entre organizações e a imprensa, desde a primeira metade do século 20, foi geralmente atribuída a jornalistas. Eles atuavam no que se chamava inicialmente de "gabinetes de imprensa" e, posteriormente, de "assessorias de imprensa".



Na década de 1980, o ambiente em que as organizações estavam inseridas traziam como novidade a redemocratização, competitividade comercial, exigência de visibilidade pública e necessidade de prestação de contas à sociedade.



No Jornalismo, vigorava a redução das equipes nas redações, aumento do número de profissionais recém-saídos das faculdades e o início da quebra do preconceito contra as assessorias, que passaram a se profissionalizar.



Hoje, o cenário não é muito diferente.