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| Há divergências, dos repórteres que são gratos pela ajuda das assessorias em localizar fontes, e de outros que consideram o assessor mais preparado do que um repórter, “um profissional completo”. |
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| Por Carolina Iglesias |
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Fotos: Carolina Iglesias
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O assessor de comunicação costuma ganhar um pouco mais, acumula funções e não tem o mesmo charme que envolve o repórter dos veículos de massa. Geralmente é mal visto pelos colegas e sofre quando seus empregadores não conseguem entender o que é notícia de interesse geral e o que é de interesse restrito. Quando o assessor consegue um bom espaço na mídia, porque ele soube divulgar bem e porque o assunto tem apelo jornalístico, a imprensa, principalmente a TV, omite parcialmente a fonte, justamente “o quem fez”.
Exemplos dessa distorção, apontada por diversos assessores, são as aberturas das notícias nas emissoras de televisão: uma empresa santista lançou cursos gratuitos de informática a pessoas carentes... que empresa? uma universidade particular de Santos venceu uma concorrência pública para fazer pesquisas a uma estata qual?, um engenheiro de uma indústria santista ganhou um prêmio nacional... um professor de uma escola particular... ”. Os sujeitos das notícias de interesse público ficam nebulosos, não se divulgam suas qualificações e procedências
“Mas se o fato noticiado é negativo, como assaltos nas ruas próximas, protestos de alunos contra a cobrança de mensalidades em atraso, o nome da instituição ou da empresa sai com todas as letras, mesmo quando ela não tem culpa do fato, como o caso da segurança nas ruas do bairro, o que é tarefa da polícia”.
A relação se complica quando o profissional precisa checar, nos horários mais impróprios, como nos fechamentos, se o repórter recebeu o release, se a matéria será publicada... Os assessores desabafam, mas entendem que não devem se identificar publicamente, para não afetar a imagem da empresa que representam.
Nas redações — O jornalista precisa do assessor para obter determinadas informações, facilitar contatos, descobrir fontes mais adequadas. E o assessor precisa do jornalista para provar que é eficiente. Rafael Motta, repórter do jornal A Tribuna, diz com veemência. “A última coisa que eu penso na minha vida é ser assessor”. Segundo Motta, o assessor de imprensa não possui a mesma liberdade de um repórter. “Ele deve divulgar o que a empresa deseja e isso não ocorre nos jornais”.
Na realidade, profissionais veteranos afirmam que não é bem assim. Nenhum repórter se atreveria a escrever contra seus empregadores no jornal em que trabalha.
Raramente os repórteres são procurados por assessores. “Normalmente eles ligam logo para o chefe de reportagem”, diz. Motta não admira as assessorias, mas reconhece a utilidade delas ao facilitar o acesso às fontes e às informações. Critica, porém, a maneira como o trabalho delas é produzido: “Muitas vezes chegam releases que mostram apenas aspectos positivos da empresa e as informações necessárias para os jornais ficam no pé do texto. Se o repórter não estiver atento, nem percebe. Cabe ao jornalista apurar estes dados”.
Já para Marcelo Luís Perez, repórter do Expresso Popular, o contato diário entre repórteres e assessores é fundamental: “Além de contribuir com o jornalista sobre um determinado assunto, ele passa as fontes necessárias para o repórter realizar suas entrevistas”.
Perez entende os assessores, que, muitas vezes, só enviam alguns releases desinteressantes por terem sido “obrigados”. E acrescenta: “a confirmação de recebimentos dos e-mails e faxes atrapalha nosso trabalho”. Na sua visão, o assessor de imprensa deve ter uma bagagem muito maior do que a de um repórter: “Ele lida com a imprensa, deve ter grande sensibilidade para descobrir o que ou não é notícia, além de ter um amplo conhecimento jornalístico”.
Multifunções — Que o assessor trabalha mais que um repórter ninguém duvida. Sua função é multifuncional, o que muitas vezes gera estresse e trabalho insatisfatório, em termos de qualidade: em um mesmo evento, ajuda a fazer o cerimonial, fica atento se o banner da instituição vai aparecer no jornal, atende a imprensa. Se a assessoria é pequena, também fotografa e anota o que ocorre, mas sua prioridade é outra: receber bem os jornalistas e convidados, ajudar a imprensa no que for possível, para informar o público por meio do jornalista e mostrar uma boa imagem da empresa.
“Eu me orgulho de ser assessora” - Algum preconceito começa na faculdade. Ser assessor de comunicação não é normalmente o sonho dos estudantes de jornalismo provavelmente porque, quando a função surgiu, em meados dos anos 1960, esses profissionais não eram jornalistas e serviam apenas para divulgar notícias do governo. A opinião começa a mudar na faculdade, quando os estudantes percebem que as atribuições em uma assessoria são múltiplas e que há trabalhos para todos os gostos: de fazer fotos à TV, de reportagens à Internet, além de outras tarefas que nem imaginavam, como zelar por um bom mailing, organizar eventos e ajudar no cerimonial.
A professora Kátia Locatelli se orgulha de ser assessora de imprensa e se irrita ao ouvir críticas sobre assessorias. Desde que ingressou na universidade pensou em trabalhar em jornais impressos, mas a vida a conduziu a outros caminhos. Quando estava no terceiro ano do curso de jornalismo, na UNISANTA, recebeu uma proposta de estágio na Prefeitura de São Vicente. Pouco depois, sem nunca ter trabalhado em outras funções, foi contratada.
Muitos amigos e professores a criticaram por achar que seria loucura aceitar o emprego sem nenhuma experiência profissional. Quando entrou na faculdade, era uma advogada desiludida com o Direito e fascinada pelo Jornalismo, curso no qual se destacou por seus textos. Acabou sendo convidada para ser professora do curso em que se formou. Até hoje exerce as duas funções.
A profissão ainda hoje é vista como um mercado de Relações Públicas, outros já a consideram um mercado do Jornalismo. Um curso de RP prepara para comunicação empresarial, divulgação de eventos e cerimoniais. Talvez esteja aí a mistura de funções.
Além das condições de trabalho favoráveis, Kátia Locatelli acredita que um assessor de imprensa talvez seja o profissional mais preparado e completo, pois ele tem a visão de um jornalista, de um relações públicas e de um publicitário.
Em uma assessoria de comunicação de grande porte, o jornalista tem a possibilidade de fazer impressos, TV e muitas vezes rádio. E o estagiário de assessoria tem a possibilidade de aprender muito mais, sobre as diversas funções.
Kátia se deu bem no magistério e na assessoria, com seu empenho e com o que aprendeu na faculdade. Continua lendo muito e aconselha aos formados: “Procurem se atualizar sempre na área preferida”.
Matéria publicada em 2007
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