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Parece unânime. Não há nada mais prazeroso do que ir a uma churrascaria degustar os mais variados cortes de carne ao ponto. Ou mesmo um suculento galeto ou ainda um salmão grelhado, certo? Errado.
A preocupação com a saúde, com os animais, com o meio ambiente e a fome no mundo pode levar pessoas como a tradutora Marly Winckler a deixar de comer carne durante anos ou até pela vida toda. Há 20 anos, Marly deixou de comer carne e escreveu um livro explicando os motivos que a levaram a se tornar vegetariana.
“Tornei-me vegetariana principalmente por razões éticas e espirituais. Na verdade, às vezes, ao sentir o cheiro da carne, dava uma vontadinha, mas nada que fosse difícil de controlar. Com o passar do tempo esta vontadinha desapareceu por completo”.
Os vegetarianos, em alguns casos, eliminam completamente o consumo de carne, seja de boi, frango, peixe ou frutos do mar. Eles dividem-se em vegetarianos puros, ovo-lacto-vegetarianos ou vegans. Os ovo-lacto-vegetarianos abstêm-se de carnes, porém incluem ovos e laticínios em sua dieta. Os puros não comem nada de origem animal, incluindo ovos, laticínios, gelatina e mel. Os que incluem vegetais e animais em suas refeições são classificados de "onívoros".
Nos países ocidentais a maioria dos vegetarianos consome ovos e lacticínios. Embora os termos vegan e vegetariano puro sejam usados como sinônimos, há uma diferença entre eles. Os vegetarianos puros, isto é, totais, abstêm-se de todos os alimentos de origem animal, inclusive ovos, lacticínios, gelatina e mel, produzido pelas abelhas. Os vegans vão além daquilo que comem, evitando, ao máximo, todos os produtos derivados de animais. Recusam-se a usar couro, lã e seda, bem como a utilizar sabonetes que contenham sebo animal e fotografias que utilizem gelatina porque ela é feita de ossos e tecidos conjuntivos de animais.
Infelizmente, não há nenhuma pesquisa que diga quantos vegetarianos existem no Brasil ou no mundo. “A Perdigão, certamente, para fazer sua linha vegetariana deve ter feito, mas não foi divulgada. E deve ter constatado que é um nicho a explorar”, comenta Marly, que criou um site sobre o assunto. Ele pode funcionar como um termômetro, porque mensalmente recebe 400 mil visitas.
Outro indicador pode ser o último Congresso Vegetariano Mundial que aconteceu em 2002, na Escócia, que reuniu 1000 congressistas de 20 países. Também é sinal da existência de um público consumidor considerável a oferta cada vez maior de produtos próprios para o consumo de vegetarianos na grande maioria dos supermercados do país – aliás este é um dos únicos setores que estão em expansão no momento, juntamente com o de produtos orgânicos, também consumidos por vegetarianos, segundo a Associação de Supermercadistas de São Paulo. Pode-se observar isso em praticamente todos os supermercados, onde as gôndolas destinadas a produtos naturais, integrais e orgânicos aumentam cada vez mais.
Manoel Antonio Cardoso de Oliva, vegetariano há 28 anos, casado, pai de 5 filhos, lamenta que só o mais novo tenha se identificado com a sua opção. Ele concorda com Marly e recentemente inaugurou o restaurante Eugene aproveitando a expansão desse nicho. “Diferente do que a maioria pensa, ser vegetariano não significa só comer “mato”. Servimos massas, pratos à la carte e sobremesas dentro das exigências vegetarianas. Vários clientes comentam que a disposição, o organismo, o humor, mudaram depois de experimentar esse tipo de comida”.
No restaurante não são utilizados enlatados, embutidos, nem carnes, obviamente. As massas são feitas com farinha integral e pouco sal. As sobremesas não levam açúcar refinado e sim fructose. Com relação aos preços, só para se ter uma idéia, uma massa que serve duas pessoas sai por 19 reais, mesma faixa dos restaurantes comuns, porém a tendência é aumentar. “Mantenho os preços igual ao da concorrência para conquistar freguesia. Mas em breve, serei obrigado a atualizar”, confessa Maneco, como é carinhosamente chamado pelos seus clientes.
Manter uma dieta vegetariana é caro. Um pacote de arroz integral de 1Kg custa 6 reais, enquanto um de arroz normal de 5Kg custa 9,50 reais. “O bem estar que se alcança não tem preço”, contrapõe Maneco.
Um dos grandes mitos que circundam o vegetarianismo é a falta de proteína e ferro que provêm da carne. “Os alimentos vegetais são capazes de suprir o organismo com toda a proteína e ferro necessário, seja para uma criança, um idoso ou até mesmo um atleta”, explica o nutricionista vegetariano George Guimarães.
Ele é diretor da NutriVeg Consultoria em Nutrição Vegetariana, única empresa de consultoria especializada neste segmento no Brasil. George cita como boas fontes de proteína as leguminosas feijão, soja, grão-de-bico, ervilha, lentilha, as castanhas e o brócolis. Já de ferro, soja, tofu — queijo de soja, feijão, vegetais de folha verde-escura brócolis, couve, amêndoas, semente de girassol, damasco seco e figo seco.
Estudos científicos constantemente demonstram os benefícios que uma dieta vegetariana proporciona, que vão desde melhor desempenho nos esportes à reversão de doenças do coração. Um exemplo é a tese de doutorado do cardiologista Júlio César Acosta Navarro, defendida no Incor. O cardiologista identificou diferenças entre fatores de risco, doenças associadas e estilo de vida de 136 voluntários. Destes, 65 eram vegetarianos não consomem carne, 30, semi-vegetarianos consomem carne de uma a três vezes por semana e 41, onívoros consomem carne diariamente.
De todas as pessoas estudadas, com idade de 20 a 55 anos, os vegetarianos apresentaram menos risco com relação a doenças do coração. “Outros profissionais de saúde podem difundir que essa alimentação é benéfica”, diz o médico, com a ressalva de que ainda há muito estudo pela frente para a dieta ser indicada como fator comprovado de prevenção no caso de doenças cardiovasculares. “Não existe radicalismo. Esse estudo mostra que a dieta vegetariana é aconselhável”, completa.
Mas o nutricionista, que foi co-autor da tese de doutorado citada, alerta que, como em toda transição alimentar, é necessário procurar orientação profissional e se informar para estar apto a discernir entre fatos e mitos. “Não é incomum que vegetarianos se queixem de terem procurado um nutricionista e terem sido mal orientados na sua opção alimentar, muitas vezes tendo recebido a recomendação de voltar a comer carne”.
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