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Na batida do Pump
Repórter conhece a fundo as curiosidades do famoso jogo de dança
Por Kamila Bauer
Fotos: Arquivo Pessoal
O começo é muito tranqüilo. Em questões de segundos o ritmo da banya música coreana vai aumentando. Na tela surgem as seqüências de setas a serem pisadas em um tapete que fica no chão: duas setas azuis inferiores, duas vermelhas superiores e uma amarela central. Cada seta da tela corresponde uma cor e ritmo, e no momento que elas passam pela tela e a seta indicada não é pisada, já era a pontuação. Game Over total.

Essa é uma das características da máquina coreana Pump it Up. Magnífica simuladora de dança, que envolve o jogador do começo até o final de suas músicas.

A duração de cada música é de apenas três minutos e quinze segundos. Quem vê de fora pensa que é fácil dançar, mas aqueles que se arriscam a subir na Pump percebem que é necessária muita atenção, habilidade e gingado. Isso sem falar no cansaço proveniente pelo esforço. Já na metade da música, o corpo fica exausto e com isso o jogador perde algumas seqüências. Fora isso, a sensação é ótima, ser induzido a dançar sem saber dançar é realmente uma experiência que dá vontade de repetir muitas e muitas vezes.

“Para quem não está acostumado a praticar esportes o jogo cansa muito. São mais ou menos três minutos de música, sem pausa, sem poder errar nenhuma seqüência. Por isso cansa muito e quem não pratica por um bom tempo, para de dançar por causa da canseira. Digo isso por mim, que jogo há seis meses e ainda não consigo acompanhar o ritmo”, diz Marcelo Soares, 17 anos.

Marcelo é freqüentador da Linkin Games, um dos locais onde se pode encontra a máquina. O estabelecimento é uma loja de games situado no centro de São Vicente, onde é disponibilizada a locação das máquinas para rodadas movidas a fichas no valor de R 1,20.

A Pump it Up não é apenas diversão. Com o passar do tempo, a máquina deixou de ser atração em casas noturnas, bares e lojas de games na Coréia e em diversos países, passando também a ser utilizada como uma prática esportiva. Muitas pessoas a utilizam para se manter em forma e melhorar seu condicionamento físico.

“Quando comecei a jogar Pump, não pensei que isso pudesse ajudar na minha resistência física. Depois de alguns meses, percebi que reduzi meu peso e comecei a ganhar massa muscular. A partir daí não parei mais. Hoje eu danço, me divirto e ao mesmo tempo estou fazendo um bem para minha saúde”, diz Marcelo.

A maioria das pessoas utilizam a Pump em casa para treinar ou participar de competições. É claro que uma máquina dessas não é tão fácil de ser adquirida. Afinal, ela custa no mínimo R 5 mil reais. Trata-se de uma máquina importada e que só é encontra para venda em lojas autorizadas da grande São Paulo e Rio de Janeiro. Hoje, há também no mercado a versão “Tapete de dança”, que é mais em conta e está disponível para a venda em qualquer estabelecimento de games. O pequeno tapete custa em torno de R 500 reais e pode ser conectado aos consoles da Sony, os Playstations 1 e 2.

História - A máquina foi criada em 1999 pela empresa coreana Andamiro. Logo no início, a empresa sofreu com um processo na justiça provocado pela produtora de jogos eletrônicos japonesa Konami, que acusou os coreanos de plágio. Segundo os nipônicos, foram eles próprios os criadores do primeiro simulador de dança. Entretanto, a Konami perdeu o processo, pois, enquanto sua máquina possui quatro setas de comando cima, baixo, frente e trás, enquanto a Pump possui 5 setas diagonais cima-esquerda, cima-direita,baixo-esquerda,baixo-direita e o do meio. Com isso a Andamiro teve o direito de continuar com a fabricação das pumps, divulgando no país e comercializando no mundo inteiro.

Série - Ao longo da história, já marcaram época no meio as Pumps 1st Dance Floor — primeira criação da Andamiro —, a 2nd Dance Floor, a 3rd O.B.G, a O.B.G Season Evolutionary, a The Collection, a Perfect Collection, a Extra, a The Premiere versões 1, 2 e 3 e a The Prex. A mais recente delas — a NX2 Next Xenesis 2 —, lançada em 2007 na Coréia do Sul e exportada desde Janeiro de 2008 para o Brasil. As demais versões são as formato de tapete, mais usada pra quem pratica em casa.

“A recente versão NX2 é a mais procurada pelos jogadores porque ela possui muito mais músicas que as versões anteriores e porque os ritmos são mais avançados. Essa versão é encontrada apenas em máquinas simuladoras, pois ainda não tem o “tapete”. Então, aqueles que quiserem jogar, precisam ir a shoppings ou casa de jogos”, diz Fernando Chinem, 23 anos.

Fernando Chinem pratica o Pump há 7 anos. Seu interesse começou em 2001, quando passava por um fliperama em Santos e viu uma máquina parecida com a Pump, de nome SSAMBA. Ele não sabia muito como funcionava então resolveu experimentar. Um mês após ter jogado a genérica, conheceu a Pump, onde joga até hoje. Fernando mora em Santos, mas já participou de vários campeonatos em São Paulo, como Anime Friends, Ressaca Friends e Anime Dreams, em São Bernardo do Campo, Campinas e Curitiba.

“Hoje posso dizer que começar a jogar pump só trouxe benefícios pra minha vida. Em relação à saúde ganhei resistência física, dançando eu consigo manter meu corpo no mesmo peso só aumentando um pouco a massa muscular. E em relação ao meu circulo social, conheci muitas pessoas que curtem também e viajei pra alguns lugares por causa de eventos e campeonatos ”, diz.

Todas as máquinas simuladoras têm os mesmos estilos de músicas, que são o K-pop, um estilo de pop coreano e a Banya/Yahpp, músicas compostas pela própria banda da empresa Andamiro. Em algumas versões como a Exceed e a Exceed SE para Playstation 1 e 2, essas músicas são remixadas.

Game start - Para facilitar o jogador, todas as Pumps vêm com três níveis de dificuldade. O modo Easy, para principiantes que nunca dançaram pump, ritmo mais calmo e seqüências de setas mais fáceis. O modo Hard, para jogadores mais habilidosos e experientes, que já têm facilidade de acompanhar um ritmo mais acelerado, e o modo Crazy. Esse é o mais difícil, usado em campeonatos e por jogadores muito mais habilidosos. O ritmo é muito rápido e com maior número de seqüências de setas.

A Pump it Up não tem restrições de idade, e qualquer pessoa que saiba utilizar a máquina pode jogar. As fichas variam de R1,00 a R2,00 em diversas lojas de games, eventos e shopping de todo o mundo.

Quando termina a música, a máquina dá a nota de acordo com o desempenho do jogador. Elas variam entre S, A, B, C, D e F.

Legenda das notas dadas pela máquina

S- O jogador acertou 95% ou mais de setas

A- O jogador acertou entre 90% e 94% das setas

B- Acertou entre 85% e 89%

C- Entre 80 e 84%

D- 75% e 79%

F- Não foi aprovado pela música, menos que 74% de acerto.