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| Portadores de deficiências físicas querem ocupar seu espaço na vida profissional |
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| Por Cristiane Barbosa |
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Fotos: Cristiane Barbosa
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Depois do acidente tudo mudou. A família continuou do lado, mas os amigos sumiram. Há quatro anos o porteiro Alexandre Rodrigues, de 28 anos, sofreu um acidente de carro, e ficou paraplégico. “No começo foi tudo muito difícil, não aceitava. Tive acompanhamento com psicólogos e dois anos e meio depois comecei a aceitar melhor tudo que havia acontecido”, diz Rodrigues.
Antes de ficar paraplégico ele trabalhava na Bolsa de Valores. Após um ano procurando emprego, trabalha hoje, como porteiro na Universidade Santa Cecília. “Já fazia fisioterapia aqui e um amigo disse que estavam precisando de uma pessoa que fosse deficiente físico para trabalhar como porteiro”, afirma Alexandre.
“Não acredito na lei de cotas, não funciona. Agora, a situação começou a mudar um pouco, pois o governo está em cima das empresas e elas são obrigadas a contratar”, declara Rodrigues.
A lei 8213/91, conhecida como Lei de Acessibilidade, obriga, em seu artigo 93, as empresas com cem ou mais empregados a preencherem de 2% a 5% de seus quadros com reabilitados ou pessoas portadoras de deficiência.
“É um sonho, que está caminhando, mas ainda não é realidade”, diz o coordenador da Coordenadoria de Defesa de Políticas para Pessoas com Deficiências, Luciano Marques.
Marques diz ser contra a lei de cotas, por acreditar que com ela já haveria uma diferenciação entre deficientes e não deficientes. “Sou contra a cota, mas é um mal necessário. A própria constituição garante que todos deficientes ou não tenham direito ao trabalho. A lei é um respaldo, para que esse direito seja assegurado”.
Para Marques o grande obstáculo que o deficiente enfrenta é a falta de preparo. “Venho de uma geração que não acreditava no deficiente. Muitos não têm se quer o ensino fundamental”, acrescenta.
“Acho que além da falta de preparo o preconceito também dificulta. O preconceito, muitas vezes, não é por maldade, é por falta de informação”. E completa. “Está surgindo outro tipo de preconceito, o que separa os deficientes leves e os graves. É preciso que percebam que deficiência não é profissão. O deficiente deve ser contratado pelo que é capaz de fazer e não pela deficiência que tem”, diz Marques.
Dentro das deficiências há vários grupos. Deficientes visuais, mentais, auditivos, cadeirantes e aqueles que não têm uma das pernas, por exemplo, mas que se locomove bem com ajuda de aparelhos ou pernas mecânicas, esses são os chamados deficientes leves.
“Acessibilidade é o portal para a inclusão. Projetos para acessibilizar através de cursos de braile, libras, comportamento cultural devem mudar. Mecanismos legais já foram criados, agora é preciso informação”, afirma Marques.
O mercado de trabalho
De acordo com a responsável pelo setor de empregabilidade do Conselho Municipal para Integração das Pessoas Portadoras de Deficiências Condefi, Maria Helena Alves Fernandes, a falta de estudo, de qualificação e, muitas vezes, a falta de acessibilidade nas empresas são as grandes barreiras para o deficiente chegar ao mercado de trabalho.
Segundo Maria Helena, mesmo com a lei de cotas, ainda há preconceito por parte das empresas. “Algumas empresas não contratam deficientes visuais e nem deficientes físicos que utilizem cadeira de rodas por falta de acessibilidade. Procuramos conversar com o RH das empresas e tentar explicar que às vezes os deficientes considerados graves podem exercer plenamente suas funções”, acrescenta Maria Helena.
Dos 187 milhões de brasileiros, 15% sofrem de algum tipo de deficiência.
Mas de acordo com Maria Helena, ainda não há nenhuma estatística com o número de deficientes no mercado. Ela acredita que uma solução seria a implantação de mais cursos de capacitação voltados para os deficientes.
O Conselho Municipal para Integração das Pessoas Portadoras de Deficiências Condefi faz a inclusão, através de um cadastro com currículos, de pessoas portadoras de deficiência e suas qualificações. As empresas ligam para o Conselho procurando um funcionário para preencher a vaga e o Condefi encaminha os currículos de acordo com as necessidades das empresas.
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