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Bailado flamenco. Na universidade.
Música, dança e poemas remontam a Andaluzia em Sarau na Unisanta
Por Leonardo Leal
Fotos: Cybele Fernandes
Primeiro a música da Andaluzia. A forte luz vermelha preenchia o ambiente, as dançarinas, com o balançar dos vestidos e os movimentos rápidos da palma da mão davam o tom à poesia do corpo envolvendo o público. Em seguida, no intervalo das canções era a vez dos versos de Frederico Garcia Lorca e João Cabral de Melo Neto, que reviviam o ambiente andaluz e traziam a cultura Gitana para o pátio da Universidade Santa Cecília, em novembro, numa noite de sarau.

O flamenco se apresentava com todos os elementos. A rosa vermelha no cabelo da dançarina, os vestidos coloridos, o sapateado marcando o ritmo e os leques que criavam uma atmosfera de mistério. Os figurinos combinavam com as canções: preto para a tristeza e a solidão. Vermelho para as canções de amor e os estampados para as alegrias das festas.

Assim, naquela noite, pôde se conhecer a expressão artística dos gitanos, um povo excluído, segundo a professora de flamenco Ivi Ribeiro. Nasceu nas ruas e incorporou a tradição das outras culturas, ao mesmo tempo em foi sendo assimilado por danças como a árabe.

"Há uma busca para que as emoções aflorem cada vez que a gente dança", explica Ivi. "Tem uma mescla de emoções tristes e alegres representando o próprio povo gitano, que não era somente espanhóis, eles permeavam a Europa inteira.", acrescenta.

A música e a dança causaram uma forte impressão no público. O sorriso da dançarina demonstrava o domínio do espetáculo. No olhar dos espectadores podia se ver a emoção criada pela música através dos movimentos do corpo e dos leques.

Apresentações de dança, teatro e performances fazem parte da programação do Sistema Integrado de Bibliotecas SIBi da Unisahnta,como forma de democratizar e dessacralizar cultura.

O poema 'Se as minhas mãos pudessem desfolhar', de Garcia Lorca, foi declamado para contrabalançar a emoção da dança. De João Cabral, além do discurso sobre Andaluzia, foi apresentado o poema 'Habitar o Flamenco' :

"Como se habita uma cidade /Se pode habitar o Flamenco /como sua cidade, seus nativos, /Seus bairros, sua moral, seu tempo. /Sua linguagem: um falar com coisas / E jamais do oito mas do oitenta/Seus nativos: toda uma gente / Que existe espigada e morena/ Seus bairros: todos os sotaques / Em que divide seus acentos /Sua moral: a vida que se abre /E se esgota num instante intenso / Seu tempo: borracha que estica / Em segundos de passar lento, / Lendo de sesta, sesta insone / Em que se está aceso e extremo”.