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Saúde - Vida Saudável
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| Dia-a-dia com o Alzheimer
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| Muitas pessoas não ligam para a doença por não atingi-las e acham que nunca as atingirá, mas quando ela resolve se abrigar em sua casa, a história pode ser totalmente diferente |
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| Por Vinicius Milani |
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Fotos: Vinicius Milani
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Há dois anos, Denise Martins descobriu que sua mãe, aos 75 anos, apresentava sintomas do Mal de Alzheimer como repetições constantes de fatos e mudança na personalidade. Hoje, aos 77, dona Nair Martins está na fase intermediária da doença e sua filha aprendeu a conviver com uma pessoa portadora da chamada “peste negra”.
Para combater a doença, Nair vai à academia diariamente e ocupa a mente ouvindo música e lendo livros. “A academia melhorou muito a locomoção dela”, comenta Denise. “Ela lê o mesmo livro várias vezes, porque se perde nas páginas e tem que começar tudo de novo”. “Eu não me importo”, rebate Nair.
Para o coordenador do curso de Gerontologia da UNISANTA, Carlos Alberto Moraes, a prática de exercícios mentais também ajuda a combater a doença. “Jogos que estimulem a memória e a aprendizagem de um novo idioma também ajudam no combate ao Alzheimer”. Segundo estudos realizados nos EUA, o carinho familiar é muito importante para o doente. No caso de Nair é diferente porque ela passa a maioria do tempo sozinha. “Minha filha trabalha o dia inteiro e minha neta vai para a escola de manhã”, diz.
Se fosse por Denise, passaria o dia todo ao lado da mãe, mas, mesmo assim, conta com ajuda de amigos próximos. “Como trabalho o dia todo, meus amigos ajudam a cuidar da minha mãe. Lembram que está na hora do remédio, essas coisas”, comenta. Por falar em medicamento, ela toma, diariamente, um próprio para o combate ao Alzheimer.
Dona de casa exemplar, depois que adquiriu a doença, Nair passou a pôr sal na comida duas vezes, esqueceu receitas que sabia de cor, enfim coisas que acontecem na fase inicial do Alzheimer. “Às vezes era preciso ligar para alguém para me passar a receita”, brinca.
Conhecimento: chave para lidar com o Alzheimer
Denise reclama que deveria ter mais informações sobre o mal. “Para nós, que somos conhecedores do que o Alzheimer é capaz de fazer já é difícil de lidar com ela, imagina pra quem não tem”, desabafa. Nair vai ao médico uma vez por mês e quer sempre saber o que se passa com ela. “Procuro saber tudo o que acontece comigo. Não deixo que me escondam nada. Se estiver bem tem que falar, se estiver mal também”, esbraveja a paciente.
Pode ser que dona Nair tenha herdado os genes de sua mãe, que morreu com 83 anos com sintomas parecidos. “A doença não foi 100% diagnosticada” conta Denise. Em contrapartida a bisavó de Denise viveu até os 98 anos, lúcida. Caso que pode acontecer também.
Na opinião de Carlos Moraes, não é o tempo de vida que controla a pessoa. “Não é a idade cronológica que marca o tempo de vida de uma pessoa, mas sim, o que ela faz da vida e durante a vida”. Ele também explica o fato de dona Nair poder ter a doença por genética. “Os estudos mostram que indivíduos que têm parentes idosos com a doença, têm mais chance de adquiri-la que aqueles cuja família não tem nenhum caso”, finaliza.
Saiba mais sobre o Mal de Alzheimer: www.alzheimermed.com.br/
Matéria prodizida em 2007
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