| |
Home
Sobre
Equipe
Email
Edições
|
|
Inclusão Social
| |
| Ajudando a passar pelo funil
|
 |
| Educafro promove cursos para o vestibular |
 |
| Por Rodrigo Azevedo |
|
|
 |
“Enquanto você está aqui sentado, tem um concorrente estudando." A sentença, comum nos cursos pré-vestibulares, lembra aos alunos que é hora de voltar para os livros. Em ano de vestibular, é preciso se dedicar às apostilas, cumprir à risca as tarefas e fazer todos os simulados. Com o passar dos anos, o vestibular tornou-se o bicho-papão dos jovens que tentam uma vaga na universidade pública.
No Brasil, o ensino básico público e gratuito apresenta indicadores de qualidade baixos. No ensino médio, a situação é particularmente delicada na maior parte dos estados. Os alunos se vêem obrigados a estudar em escolas mal aparelhadas, com falta de professores e, muitas vezes, à noite, com carga horária e espaços escolares inadequados.
Neste cenário começaram a surgir os cursos pré-vestibulares para negros e carentes. No estado do Rio de Janeiro, os primeiros com estas características foram abertos no início da década de 90, período em que surgiu a pioneira Educafro, sigla de Educação e Cidadania de Afrodescentes e Carentes que nasceu na Baixada Fluminense por iniciativa de frei David Raimundo dos Santos. Atualmente, a sede da Educafro localiza-se no Centro de São Paulo e sua finalidade maior é assessorar os núcleos pré-vestibulares comunitários, inseridos em outros estados, como: Espírito Santo e Minas Gerais.
A ONG organiza aulas com professores voluntários para melhorar a condição acadêmica e pelo aumento das isenções da taxa dos vestibulares em universidades públicas.
Dos nove núcleos que a entidade mantém na região, dois ficam em Santos: um na Igreja do Valongo e outro na EE Visconde de São Leopoldo, onde a diretoria da unidade lhes cede o espaço. Em seis anos de atividades regionais, a Educafro comemora o acesso de 150 ex-alunos nas universidades locais.
Para o coordenador pedagógico do grupo, Léo de Oliveira, o segredo da sobrevivência está nas parcerias e na boa vontade dos professores, ‘‘100% voluntários’’. A única despesa do estudante são os R 15,00 pagos mensalmente, além de uma apostila, adquirida no início do curso.
Deslumbrando um futuro
Enquanto aguarda o estabelecimento de uma política nacional de cotas para afro-descendentes nas universidades, a Educafro vai costurando acordos com as instituições locais, como a Universidade Católica de Santos UniSantos e a Universidade Santa Cecília UNISANTA.
Mais do que um diploma universitário, os cursos pré-vestibulares para afro-descendentes podem possibilitar uma vaga no mercado de trabalho. Através da Educafro, Paulo Martins Gonçalves conseguiu não apenas se graduar em Administração de Empresas pela UNISANTOS, mas a aprovação em um concurso público que lhe garantiu o atual emprego. “Sem isso, dificilmente teria conseguido, porque o ensino na rede pública é muito fraco. Sou a prova de que o cursinho vale muito a pena’’, diz.
Ricardo Santos, de 19 anos, sempre estudou em escola pública e pelo segundo ano consecutivo tenta uma das vagas do Curso de Arquitetura da Unicamp. “O problema não é a prova, mas o ensino público, que é muito defasado, sendo que os professores só passam o básico e superficialmente.” No primeiro ano de curso pré-vestibular da Educafro, o estudante disse ter aprendido “coisas que nunca tinha visto” em sala de aula.
Além da idade, Leandro Moreira Manzano tem algo em comum com Ricardo: sempre estudou em escolas públicas. “O ensino é muito fraco.” Por isso, ao terminar o Ensino Médio em 2002, optou por não prestar qualquer vestibular. “Preferi fazer cursinho.”
Aos 32 anos, Stella Silva integra a turma de 25 alunos do núcleo Visconde de São Leopoldo da Educafro. No vestibular, vai brigar por uma vaga no curso de Designer Gráfico. Do Estatuto da Igualdade Racial, que deverá ser votado pelo Congresso Nacional em 2007, espera algo mais do que as cotas para afro-descendentes nas universidades. ‘‘Que seja o começo de uma mudança no pensamento de todos, onde o preconceito não faça mais parte da realidade’’.
Matéria produzida em 2006.
|
|
|
|
|
|