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| Entidade no centro de Santos atende crianças de 6 a 16 anos que enfrentam dificuldades na escola. |
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| Por Vinicius Milani |
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Banana. Para muitas crianças de cinco, seis anos essa é uma palavra fácil de ser lida. Não para Paulo, de 11 anos. Para ele, essa palavra, relativamente fácil, é o seu pesadelo. O garoto sofre de dislexia, uma doença que faz com que a pessoa não consiga juntar as sílabas.
Paulo é uma das 320 crianças de escolas estaduais que freqüentam a ONG Cruzadas das Senhoras Católicas. Localizada no Centro de Santos, foi fundada em 13 de dezembro de 1930, com objetivo inicial de evangelizar, mas com o passar do tempo, acabou se transformando em uma escola de reforço.
A diretora pedagoga da entidade, Tânia Fernandes, explica o caso do garoto. “Ele consegue ler e distinguir as letras, mas não consegue formar palavras como banana”. A voluntária Lúcia Vieira é quem passa as lições de português para o menino. “Ele me chama de lado para passar as lições separadas por ter vergonha do seu problema, mas ninguém tira sarro dele”. Ela pratica o voluntariado há quatro anos junto com sua amiga Maria Helena Reis.
Com o tempo, os papéis se inverteram e a ONG passou a ser escola de verdade. Segundo a diretora isso acontece porque as escolas não se preocupam com o aprendizado do aluno e não se envolvem com ele. Um dos problemas enfrentados pela ONG é a ausência dos pais: “Se a família não se envolver, não adiantará nada nosso esforço aqui”.
Ela também explica como é realizado o trabalho com os alunos: “Atendemos crianças de 6 a 16 anos e semi-analfabetas. O pessoal que estuda de tarde passa a manhã conosco já os que vão ao colégio de manhã comparecem à tarde”. As crianças de seis meses a cinco anos são atendidas em período integral, das 7 às 17h30.
Na entidade existe um projeto voltado aos pais chamado Alegrando a vida. “Poucas famílias comparecem e as que vêm, é na base da pressão”, lamenta a diretora. Ela diz ainda que as pessoas demonstram preconceitos com o local. “Quando digo que fica no centro, elas desistem de visitar”. A diretora faz uma comparação com o início e a fase atual dos jovens. “Quando entraram, não sabiam nem pegar no lápis direito”.
Trabalham na ONG 41 funcionários além de duas pessoas que comparecem todas às quartas-feiras. Tânia aproveita para fazer um apelo. “Nós queremos voluntários!”. Para Lúcia, ser voluntária é muito bom. “Se pudesse, viria por mais de um dia, mas tenho compromissos”.“Se as pessoas reservassem uma horinha do seu dia para fazer o voluntariado já seria um grande passo”, completa Maria Helena.
Sobre a falta de voluntariados, Tânia tem uma opinião formada. “Hoje em dia todo mundo tem que trabalhar para ganhar dinheiro, aí fica difícil”. “Os jovens tem que arrumar estágios e os idosos se dizem cansados”, acrescenta Lúcia. Além das aulas de português e matemática, a ONG promove oficinas de judô, artesanato e percussão.
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