Primeiro Texto

"Amarelinho" continua sendo alvo de reclamações                               voltar
Por Wellington Carbone


      O bar "O Amarelinho", interditado no dia 15 de junho, voltou a ser motivo de queixa por parte dos moradores das imediações. No período de 30 dias em que houve a interdição, o estabelecimento, situado na esquina das Ruas Miguel Presgrave e Oswaldo Cruz, havia infringido o Código de Posturas do Município, que diz respeito à ordem e sossego públicos.

      O bar, interditado pelo prefeito João Paulo Tavares Papa, foi reaberto mediante a condição de encerrar suas atividades, diariamente, às 23h. Porém, os moradores da Rua Miguel Presgrave continuam se queixando da bagunça que é feita por estudantes universitários desde 2002 e que, segundo o morador Ivan de Souza, passam do horário determinado pela Prefeitura. Ainda disseram que o bar, que agora funciona também aos sábados, fica aberto até tarde.

      "O inferno voltou. Não podemos dormir de novo. É uso de drogas, é garrafa quebrando até a madrugada, é a maior falta de respeito. O pior é que agora também aos sábados temos que conviver com isso", afirmou. Um dos freqüentadores do bar, que não quis ser identificado, rebateu: o bar é um ponto de encontro conhecido e quem vai lá é para se divertir. "Eu quero apenas curtir. Lá é um lugar de gente jovem; quem não gosta de lá, que se mude", disse.

      Já a atual proprietária do bar, Gislaine Monte, disse à reportagem do Primeiro Texto que não fechará o bar às 23h e justificou a abertura aos sábados: "Eu concordo em fechar o bar até a 1h nos dias de maior movimento, às quartas, quintas e sextas-feiras. Nos outros, a idéia é fechar o bar à meia-noite. Aos sábados, quero vender churrasquinho e porções. Meu negócio envolve muito dinheiro e preciso me sustentar e pagar meus funcionários". 

      Segundo a SECOM - Secretaria Municipal de Comunicação, a lacração temporária do bar foi feita com base nos artigos 186 e 191, que trata sobre a moralidade e o sossego públicos. Caso continue desobedecendo às normas impostas pela Prefeitura, o Amarelinho será definitivamente embargado e lacrado, não podendo ser reaberto novamente. Já o CONSEG - Conselho Comunitário de Segurança, continua tentando intermediar um acordo entre as partes envolvidas: "Há o consenso mútuo que a bagunça acontece na calçada não dentro do bar e que é feita pelos clientes, não pelos proprietários. Queremos que isso seja resolvido o quanto antes", afirmou o presidente da entidade, José Luiz Alves.

      No entanto, os moradores ainda reivindicam mais agilidade das autoridades em relação à questão. Outro morador da Rua Miguel Presgrave, Estevam de Souza, reclama que "papelada vai e vem e nada é resolvido". O caso fica à disposição da Polícia Militar e Prefeitura de promover a segurança e a fiscalização constantes do estabelecimento. Contudo a PM, por meio de sua assessoria de imprensa, afirma que as rondas periódicas e os fiscais da SEFIN (Secretaria Municipal de Finanças) já fazem inspeções nos dias mais movimentados.

      Entretanto, o problema ainda não foi resolvido. Outro morador, José de Moura, disse que as inspeções não resolvem o problema do barulho que, segundo ele, continua sendo feito após o horário combinado. "Inspeção coisa nenhuma. Eles vêm aqui, ficam 'uma hora e pouco' e vão embora. Daí, tudo recomeça de novo: o barulho, o cheiro de maconha e jovens urinando por todos os lados. Estou pensando em me mudar daqui”.

      A atitude de José já foi seguida por outros moradores. José lembra que um vizinho seu já "pegou as malas e se mandou daqui porque não conseguia agüentar o barulho".
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