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Aula Magna de Jornalismo atrai alunos de vários níveis.  
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     Em palestra realizada no Anfiteatro da Unisanta, no dia 25, os alunos puderam contar com a presença do jornalista Sergio Vilas Boas, editor do site Texto Vivo. Ao longo da palestra -que foi ministrada pelo coordenador do curso de Jornalismo, Robson Bastos- o jornalista defendeu a prática do Jornalismo Literário e criticou o conteúdo das revistas que circulam pelo Brasil atualmente. “O jornalista deve contextualizar o leitor, não confundir com fatos superficiais”, concluiu Sergio.

     Para o escritor, abrir o jornal toda manhã e ser bombardeado só por fatos não lhe traz reflexões sobre o mundo. “Não gosto de noticiários. Consumo informações, pois faz parte da profissão. Prefiro ver e fazer reportagens especiais para adquirir sabedoria”.

     Vilas Boas afirma que o jornalismo atual está voltado ao lado publicitário e de auto-ajuda, dizendo o que as pessoas devem ou não fazer e que este não é o papel do profissional da área. “Ninguém tem a palavra final sobre nada e não tem como a imprensa fugir desse rastro. O que queremos é que o conteúdo jornalístico tenha vida e seja espontâneo acabando com o estigma que deve ser distante, frio e rápido”, diz.

     Escritor, mestre e doutorando em Ciências da Comunicação na ECA/USP, Sergio estuda e pratica métodos experimentais em Jornalismo Literário e Literatura de Não-Ficção, especialmente histórias de vida, biografias e perfis. Autor do livro “Biografias e Biógrafos”, o jornalista contou sobre sua experiência profissional nesta vertente: “não existe um roteiro pré-definido a ser seguido; geralmente pergunto ao meu entrevistado por onde ele gostaria que eu começasse”, disse o escritor.

     Sergio também ressaltou que a Internet pode ser uma boa opção para o futuro da profissão jornalística. “Acredito que, em um futuro próximo, este tipo de mídia será alavancada e apresentará benefícios para quem exerce o jornalismo literário”, afirmou. No site www.textovivo.com.br, ele e outros experts em jornalismo literário dissertam sobre os princípios e a evolução desta linguagem jornalística.

     Segundo Vilas Boas, o jornalismo literário surgiu nos Estados Unidos, onde até hoje o gênero Perfil é muito valorizado. “O perfil foi muito prestigiado pelos americanos e de lá se difundiu para o mundo”, diz. O que diferencia o jornalismo literário do jornalismo noticioso é que no literário o que se faz são reportagens especiais e que não precisam estar diretamente ligadas à agenda do momento. “Ela não precisa estar ligada à agenda, o que importa é que você termina de ler com a sensação de que realmente entendeu melhor aquele assunto”, afirma Villas Boas.

     Para Vilas Boas o jornalismo literário não vai tomar o lugar do jornalismo noticioso, mas algumas coisas poderiam ser mudadas. “O jornalismo impresso não pode fazer tudo como sempre fez. É preciso incrementar com outras matérias, dar contextualização às pautas, mostrar aos leitores outros cenários para uma mesma história”,  afirma ele.

Natural de Minas Gerais, Sergio Vilas Boas teve passagens no jornal "Diário do Comércio" de Belo Horizonte, "Gazeta Mercantil" e "Folha de S.Paulo", da capital. Como repórter, recebeu dois prêmios: Fiat Allis de Jornalismo Econômico (1996) e Profissional de Mídia do Ano (1997), concedido pela Aberje-MG (Associação Brasileira de Jornalismo Empresarial).  Além do já citado “Biografias e Biógrafos”, Sergio escreveu também os livros “Estilo Magazine”, e “Os Estrangeiros do Trem N” – este último vencedor do Prêmio Jabuti de 1998.

Alexandre Lopes

 

- Noticia Publicada em 29/04/2005.                                                                        voltar