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TV regional versus cotidiano

(ANSC Santos) Qual a relação da televisão regional com o nosso cotidiano? Segundo o jornalista e publicitário Christian Godoi, a mídia regional ainda não explorou a região como deveria. 

“A mídia é construída em cima de ilusões”, diz Christian, professor da UNISANTA. “Apenas é passado ao receptor que a cidade de Santos possui o maior Porto da América Latina, um alto nível no turismo de negócios e tem um grande potencial turístico”. As televisões e os jornais estão limitados a esta forma de cotidiano e evitam abordar o lado “oculto” do cotidiano santista. “A Zona Noroeste continua na situação de violência e os morros continuam sendo um grande mistério à população de baixo”, afirma Christian.

Em palestra conferida durante a V Semana Ceciliana da Faculdade de Artes e Comunicação da UNISANTA (FaAC), Christian dissertou sobre o tema de seu mestrado: O cotidiano na conquista do presente nas relações com a TV regional. 

Baseado em grandes teóricos da comunicação como Eugênio Trivinho, Michel Maffesoli e Jesus Martín-Barbero, o professor mapeia seus estudos desde a modernidade, período em que a sociedade baseava-se exclusivamente em valores vindos da igreja, da política e das instituições, até o momento atual, que intitula como “transição para a pós-modernidade”. 

O professor afirma que a população atribui um poder além do real aos meios de comunicação. “A Internet é um exemplo. Até dois anos atrás havia uma febre, hoje as pessoas a utilizam muitas vezes apenas para verem seus e-mails”. Christian defende que os meios de comunicação não influenciam, pois o cotidiano tem mais poder que a mídia. “A mídia se apropria do cotidiano”. 

Segundo Christian, o que falta na mídia da região, especificamente no telejornalismo, é o estudo do cotidiano como base da notícia, para o telejornalismo sair de suas limitações. “A teledramaturgia se baseia no cotidiano. O telejornalismo segue sempre uma linha , calcada no visual e na mesmice”.

Christian lembra que nós somos os sujeitos no processo de comunicação, os sujeitos que produzem. “Os meios de comunicação não agem, não se complementam por si só. Por este motivo, temos o direito de reivindicar o que queremos, dialogando com as emissora para uma melhora na mídia regional”, destacou.

 

Carla di Cologna


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