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"Pobre do povo que necessita de heróis". Assim falava Bertolt Brecht. Pobre, porém, é o povo que deixa de lado seus valores básicos de cidadania e esquece em um canto qualquer do passado aqueles que ousaram medir forças contra os que sempre se opuseram a uma sociedade mais justa, livre de preconceitos e plenamente alicerçada no respeito aos direitos civis. Neste
terceiro milênio é mais do que necessário buscar-se
o resgate de um nome que o passado não valorizou da maneira devida.
O
resgate da identidade de Patrícia Galvão vem por intermédio
da obra (livro e vídeo-documentário) de Lúcia Maria
Teixeira Furlani, Pagu-Patrícia Galvão: Livre na imaginação,
no espaço e no tempo. Sua
leitura faz fluir o pensamento. Partimos, então, em busca da realização
dos nossos sonhos. "Quero ir bem alto...bem alto... Numa sensação
de saborosa superioridade... É que do outro lado do muro tem uma
coisa que eu quero espiar" (Pagu). |
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Mulher de inúmeros matizes, libertária por excelência. De Joana D'Arc a Rosa de Luxemburgo, uma combinação dos mais puros e profundos sentimentos de liberdade que sintetizam sua alma guerreira. Patrícia Rehder Galvão, a Pagu, fez de sua vida um campo de batalha contra a intolerância, os desmandos e os grilhões impostos por senhores de uma sociedade retrógrada e, nos mais diversos aspectos, injusta. E mais do que isso, ela se fez mulher. Um espírito batalhador que foi capaz de ir muito além dos limites impostos por seu corpo físico. Bem adiante de sua época, ela inovou e revolucionou costumes. A Pagu, sob as mais diferentes formas - de jornalista a incentivadora do teatro e das artes de maneira geral; de mulher, amante e mãe a revolucionária - está contida em Pagu - Patrícia Galvão: Livre na imaginação, no espaço e no tempo, obra com a qual Lúcia Maria Teixeira Furlani nos brinda, mais uma vez. |
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Em sua quinta edição, ampliada e enriquecida com elementos inéditos, como uma carta remetida a Geraldo Ferraz da Casa de Detenção, além de fotos e de um depoimento ao jornalista Juarez Bahia, o livro tende a ocupar um lugar de destaque dentre aqueles que primam por ir muito além de um simples amontoado de palavras. Assim como Pagu, a obra de Lúcia Maria Teixeira Furlani transcende o seu tempo, ao resgatar no passado as múltiplas facetas de uma personalidade que, por certo, ainda se manterá muito viva pelo futuro a fora. No prefácio, Geraldo Galvão Ferraz, jornalista e filho de Pagu, destaca que o livro de Lúcia tem um lugar essencial na fortuna crítica e biográfica sobre Patrícia Galvão. "As duas nunca se cruzaram na curva da praia, perto da Pedra da Feiticeira ou numa mesa do bar Regina, mas seus espíritos certamente se encontraram (...). Patrícia Galvão e Lúcia se tocaram nessas páginas de oceânicas confluências". |
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