| |
Magnólia |
 |
Magnólia, nome científico:
Magnolia grandiflora da família das Magnoliáceas (Magnoliaceae).
Um gênero de árvore que existe desde os tempos pré-históricos.
É tão antiga que, na China, o seu cultivo existe há
pelo menos 1.400 anos.
Suas folhas são brilhantes, lisas ou com uma leve penugem, ovaladas
e alternadas, que não caem no inverno. A floração
ocorre da primavera ao verão, quando se recobre de grandes flores
brancas, muito perfumadas, em formato de taça.
Magnólia é também o nome de uma rua no Vale de São
Fernando, periferia de Los Angeles.
Magnólia é também um aroma adocicado usado em vários
perfumes.
A flor da magnólia também é o elemento principal
desse cartaz.
Muitas pessoas vem me perguntando: é possível analisar um
cartaz sem ter visto o filme ou sem abordar detalhes dele? Sim, e é
exatamente o que farei dessa vez. Apesar de ter visto esse explêndido
filme vou tentar não colocar minhas impressões pessoais,
nem abordar informações do roteiro nessa análise. |
Forma gráfica
A flor magnólia é o elemento principal desse cartaz.
É o que segura a visão.
É o que forma, identifica a composição, retendo nosso
olhar por mais tempo no foco central dessa imagem: a flor.
O cartaz possui uma composição centralizada, simétrica
e "quase" estática. Todo o sentido de leitura consciente
se faz verticalmente no centro exato do cartaz.
Inicia-se na pétala superior com sua lateral iluminada e sem imagem.
Segue até o miolo da flor que está envolvido por várias
formas circulares, quebrando um pouco o sentido estático da imagem,
indo para o encontro de algumas pétalas inferiores. Chega ao nome
do filme e aos créditos, terminando em uma pequena camada de céu
azul. É uma leitura simples que facilita a fixação
na memória das pessoas da imagem com a associação
do nome do filme. Magnolia é escrito com tipos de fácil
leitura e delicados como a imagem da flor pede, sendo até um pouco
similares ao formato arredondado das pétalas. |
 |
Suas cores - O conjunto
cromático com predominância de cores frias, (preto, um leve
tom amarelado, tons de terra, um leve toque de verde e azul), dão
uma característica de sobriedade, tristeza, calma, sentimentos
e sensações depressivas mas que tem na luminosidade alcançada
nas pétalas da flor uma espécie de força, de energia.
Existe, também, uma ponta de esperança representada por
pequenos pontos verdes existentes um de cada lado do cartaz (as folhas).
O fundo negro, um negro esverdeado faz com que a luz que brota dessa flor
seja mais forte, mais intensa, ajudando a quebrar o tom introspectivo
do cartaz. Todo essa tonalidade escura do fundo está sustentada
por uma leve camada de céu azul. É como se uma cor estivesse
indo de encontro a outra, tentando ocupar o espaço de um outro
tom. Seria o preto tentando se transformar em um céu azul. Simbolicamente
seria a calma, a tranqüilidade que busca sustentar um clima de obscuridade,
tristeza e melancolia envoltos em uma pequena esperança (verde)
e força (luz).
Aqui já é fácil identificar vários elementos
em oposição como a obscuridade e a luz, a esperança
e a melancolia, o vazio do negro e o mundo do céu azul.
Elementos que se opõem mas fazem parte de um mesmo ciclo, se afastam,
mas também se encontram. Essa é uma característica
que poderá ser observada em todo o cartaz. |
 |
A Flor - A flor possui
em suas pétalas várias imagens de algumas das personagens
do filme. Em duas pétalas existem duas pessoas. No canto superior
esquerdo um senhor deitado com um jovem passando a mão sobre a
sua cabeça - amparo, carência, conforto. Na diagonal abaixo
um casal se preparando para um beijo - romance, carinho, dúvida
(eles estão quase se beijando, se o beijo vai acontecer não
se sabe). Todas as outras pessoas aparecem sozinhas e com um olhar levemente
desviado do observador, com exceção de uma personagem que
aparece na pétala mais escura, sombria da flor e com um olhar um
tanto quanto desafiador, bem ali ao lado e acima da pétala com
o senhor e o jovem - solidão, angústia, busca, desafio,
medo. Além disso as pessoas ali retratadas são bem distintas.
Temos, iniciando da pétala superior: 1. um garoto, 2. um homem
jovem envolto em uma forte sombra, 3. um senhor deitado com um jovem o
amparando, 4. um jovem e uma bela mulher, 5. um jovem casal quase se beijando,
6. um senhor pequeno e preso entre duas pétalas e por fim, 7. um
outro homem de meia idade entre o jovem (1) e o senhor (5). Todas essas
pétalas, essas personagens, estão "presas" no
miolo dessa flor, fazendo parte de um único ciclo, uma única
vida que é a flor. O que podemos dizer dessa imagem? Que Magnólia
trata-se de um filme onde pessoas diferentes e sozinhas acabam se encontrando
em um mesmo ciclo, fazem parte de uma mesma rotina e que de algum modo
se encontram, se aproximam nessa história, possuem talvez uma mesma
busca. |
 |
Essa rotina, esse ciclo, fica fácil
de ser percebido notando o que existe no centro dessa flor.
Voltando ao início do texto onde existe uma explicação
de como é a árvore da magnólia, a descrição
feita para as pétalas dessa flor é que ela se parece com
uma taça.
Uma taça pode estar vazia ou não quando possui dentro dela
alguma espécie de bebida e é isso que podemos ver no centro
dessa flor, algum tipo de líquido. Existem várias formas
circulares em expansão lembrando água, espiral, como quando
uma pedra é jogada em um rio e com isso todo a sua movimentação
se altera durante alguns instantes causando uma mudança de rumo
para depois voltarem ao normal.
Podem lembrar também um pingo de chuva caindo em alguma poça
d'água, o que sugere uma mudança também de tempo,
de clima, como uma tempestade para depois retornar o céu azul,
relação essa que também pode ser feita com o fundo
negro e o céu azul abaixo.
De qualquer forma ou com qualquer imagem que possa ser associada a essas
formas circulares, fica clara a relação com ciclos, mudanças,
tempo, água, coisas que sempre ocorrem ao acaso.
Completando assim a história visual dessas pessoas que vivem cada
uma em suas pétalas, mas, que fazem parte dessa mesma espiral,
desse mesmo ciclo vital e podem se encontrar devido a mudanças
de tempo, ritmo da vida e das espirais que os cercam. |
 |
Um sapo, um céu
A principal linha de leitura de qualquer imagem é sempre do canto
superior esquerdo ao canto inferior direito. Isso faz com que, nesse cartaz,
uma imagem mínima, solitária vá direto ao nosso cérebro
e fique lá gravada esperando que exista um sentido para ela.
E que imagem é essa? Um sapo, negro, caindo em um céu azul,
grudado pela pata no fundo também negro de todo o cartaz.
Esse sapo, por ser negro, se confunde com o fundo, faz parte do fundo.
Ou melhor, ele é o fundo.
Ele é negro e está grudado ao restante do cartaz como se
puxasse toda aquela informação de imagens para dentro de
um novo mundo, colorido, de céus azuis, nuvens brancas, sol brilhando,
uma nova vida.
Ele é mínimo, quase nem notamos sua presença, mas
com certeza, é a parte mais forte e simbólica desse conjunto
gráfico. |
 |
Não é o tamanho ou a força
da cor, luz, forma de uma imagem que faz dela a principal fonte de informação,
mas sim o modo como essa imagem é usada e onde. A flor chama a
atenção principal, faz com que a observemos e prestemos
atenção nos seus inúmeros detalhes, personagens,
miolo, a água do meio mas, enquanto isso, na nossa visão
periférica, ou seja, aquela que não é o nosso foco
principal, está absorvendo todas as outras demais informações,
nesse caso, um sapo levando consigo, para baixo, para o azul, para a vida,
tudo aquilo que a nossa visão principal está assimilando.
Isso normalmente é proposital, enquanto forçamos a visualização
para um determinado ponto, estamos mandando pela visão periférica
outras informações tão necessárias quanto
a primeira e, às vezes, mais importantes simbolicamente que a imagem
principal.
Ou seja, esse simples e pequeno sapo, tem a força e a capacidade
de mover, alterar tudo aquilo que o precede, já que tudo está
preso a sua pata e se move junto com ele. |
 |
O que isso quer dizer? O que tem um sapo
a ver com a história? Para obter essas respostas, uma dica: vá
ver o filme se ainda não viu. Se já viu essa relação
está clara como as ondas circulares do miolo dessa flor. Então,
coloque o som de Aimee Mann do ótimo cd da trilha sonora de Magnólia,
(Momentum - faixa 2), que estou escutando nesse momento, e reviva essa
excelente obra da sétima arte. |
 |
 |
 |
 |