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  O corpo da mulher: verdades e mitos 

(ANSC — Santos) Atenas, Afrodite, Psiquê. Vênus para os gregos e Afrodite para os romanos, era o grande símbolo da força e da beleza. Psiquê, a deusa do amor puro, sensível, símbolo da mulher doméstica. Até os dias de hoje trazemos manifestações e nos comportamos como as deusas mitológicas, cada uma com um papel - designação - na sociedade. “A mulher continua a ser vista como um objeto e o homem como sexual, voyeur”, afirma a professora Eunice Tomé, na palestra O corpo da Mulher - verdades e mitos sobre o ato fotográfico na revista Playboy.

“O visual sempre me instigou muito”, diz Eunice. O tema escolhido se baseia em sua dissertação de mestrado na Universidade de São Paulo (USP), defendida em agosto passado. A professora canalizou seus estudos ao visual, à questão da fotografia como referência do real . “O ver hoje, na época da tele-realidade, da informação pela imagem, passou a ter um destaque muito grande. Se algum evento não vai para as telas da TV ele não aconteceu”, diz Eunice. 

Analisando a mulher, Eunice afirma que as transformações que ocorreram no período moderno foram muito mais uma revolução simbólica do que uma revolução de grandes conquistas. A própria mulher se coloca, ainda, como submissa. “Há quem defenda que a revolução feminista pode ter sido comparada com a revolução industrial, mas hoje a mulher está mais preocupada em não estar em oposição ao homem, mas estar trabalhando em compasso com ele”, completa Eunice. “Na área da profissionalização, a mulher tem grandes conquistas. Na área psicológica guardamos no interior muita coisa do nosso passado mitológico”.

Pintura e fotografia Antes da fotografia havia a pintura, que apenas no século 19 passou a ter uma conotação sexual. As mulheres eram pintadas de lado e, tempos depois, passaram a ser pintadas de frente. Por serem símbolo da força do homem, os pêlos pubianos não eram pintados. Monet, pintando mulheres “liberadas”, deu a conotação da prostituição, resquício em vigor até hoje na publicidade. “A mulher não chega a uma evolução. Sempre se torna um objeto de especulação e prazer do homem”, diz Eunice.

O homem sempre quis pôr no papel exatamente o que os olhos viam. Foi em 19 de agosto de 1939 - dia mundial da fotografia - por meio de um processo mecânico e químico, que este objetivo se concretizou. A fotografia, relacionada ao corpo da mulher, leva a uma percepção da cultuação ao corpo. “Hoje existe uma competição entre as mulheres, que sobrepõem a beleza à qualidade de vida”, diz Eunice.

Revistas Nas revistas as mulheres trabalham sempre mostrando o nu. Segundo a professora, o homem é um ser visual, que se satisfaz apenas com o olhar. A mulher, por ser mais sensitiva, prefere ter o homem próximo a si, senti-lo. “No entanto, as revistas que exploram o nu masculino têm como público os próprios homens, o público homossexual”.

“A linha editorial de algumas revistas que enfocam o nu feminino é diversificada”, comenta Eunice. A Playboy se preocupa em ser uma revista “limpa”, em mostrar a mulher com beleza, com sensualidade. A revista Sex, em contraponto, trabalha com o sexual, com o vulgar. “A Sex e a Playboy são concorrentes diretas”, afirma a professora. “O leitor escolhe a que quer pela capa”. Outro fato curioso analisado é o de que os homens preferem comprar a revista nas bancas a serem assinantes. “No ato da compra o homem sente estar comprando a mulher”.

Hoje a Playboy sai um pouco de sua linha editorial - que desde 1975 (ano de fundação) registra o que de mais importante aconteceu nos movimentos sociais - e apela à malícia e ao homossexualismo. “Hoje vemos imagens que chocam, como mulheres em grupo”, diz Eunice. Um exemplo é a edição de junho de 2002, que apresenta na capa uma seleção brasileira feminina, composta por onze mulheres “emaranhadas”.

Modelos Para se auto-afirmarem na carreira, as mulheres aceitam propostas de pousarem nuas. Constata-se que a maior parte das mulheres que aparecem nas revistas vieram da TV ou dos palcos. “Como por exemplo, a Manoela, do Big Brother Brasil”, lembra Eunice. O propósito de exporem seus corpos não é financeiro, como muitas dizem, mas psicológico. “A mulher foi criada para satisfazer o homem. Ao aparecer, ela se sente super poderosa”, afirma a professora. “Ela se satisfaz ao satisfazer os desejos masculinos”.

A fotografia, hoje, não é mais um referente do real. Pode ser alterada, manipulada e corrigida. “Por este motivo as mulheres se deixam fotografar mais facilmente”, diz Eunice. Com fotos tirada dos melhores ângulos e com as correções no computador, as imperfeições acabam e as mulheres ficam mais bonitas do que realmente são.

 

Carla di Cologna


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